Julho 2008


O sertão virou música

 

Por Juarez Fonseca

No centenário de seu nascimento, Guimarães Rosa ganha uma tradução musical. O autor da ousadia é o grupo Nhambuzim em seu disco de estréia, Rosário. Uma das boas surpresas de 2008, o álbum justifica o adjetivo de ousado pela coragem em apoiar-se uma das obras mais singulares da literatura brasileira. A surpresa está no fato de que a coragem é recompensada pelo resultado, pode-se dizer, brilhante. Desde que foi criado, em 2002, o grupo mergulhou na pesquisa do universo roseano lendo e relendo seus livros e chegando ao ponto de familiarizar-se com os cenários reais das histórias em várias visitas à região de Cordisburgo, cidadezinha natal do escritor, no sertão de Minas Gerais. Tendo como marcas belos arranjos vocais e harmoniosa combinação de instrumentos como viola caipira, piano e berrante, a música do Nhambuzim alcança com felicidade a dimensão da obra de Guimarães Rosa, ao mesmo tempo profundamente regional e universal.

 

Enquanto ouvia, fiquei pensando que, fora de Minas Gerais, um grupo assim só poderia existir mesmo em São Paulo, a cidade culturalmente mais democrática do país. Um de seus criadores, Edson Penha, geógrafo e professor da USP, é de Dracena, município paulista na fronteira com Mato Grosso do Sul. “Vivo na cidade de São Paulo desde os 12 anos mas nunca perdi aquele viés do interior”, conta. “Não sou paulistano, sou caipira.” Além de vocalista e tocador de berrante, Edson divide as composições do Nhambuzim com o paulistano Xavier Bartaburu, jornalista profissional. Também são da capital Joel Teixeira (voz, violão, viola), Itamar Pereira (baixo) e André Oliveira (percussão). O percussionista Rafael Mota é cearense e a cantora (voz linda) Sarah Abreu, ex-integrante do Coral da USP, é a única mineira. “Você pode estar no caos de São Paulo e ver-se mergulhado no puro sertão”, diz Xavier. “Guimarães fala de dois sertões, o real e o metafísico”.

 

As 17 músicas do disco partem de ritmos tradicionais mineiros e são inspiradas em contos dos livros Primeiras Estórias, Sagarana e Tutaméia, na novela Manuelzão e Miguilim e no romance Grande Sertão: Veredas. Fica estranho destacar uma ou outra faixa, na medida em que todas são parte desta, digamos, ópera sertaneja. Mas há as que chegam mais envolventes ao ouvido, como a tensa Acerto de Contas, a lírica Arvorecer e a melancólica Canoeiros, só rumor de água, vocais, percussão e o misterioso (não é bem isso, mas me falta outra palavra) som do berrante. Duas canções não foram criadas pelo grupo: A Terceira Margem do Rio, de Milton Nascimento e Caetano Veloso, e Sagarana, de João de Aquino e Paulo César Pinheiro (gravada originalmente por Clara Nunes). Esta tem um convidado especial, o violeiro Paulo Freire. Outro convidado, na canção Um Miguilim, é o cantor Renato Braz. O Nhambuzim fez um disco histórico.

 

Com bela capa-objeto, Rosário é um lançamento Nonada Cultural/Paulus. Saiba mais sobre o grupo em www.nhambuzim.com.

Universo do escritor inspira grupo Nhambuzim

Por Carlota Cafiero

Literatura

O escritor mineiro Guimarães Rosa (1908-1967) é fonte de inspiração do grupo paulistano Nhambuzim em seu primeiro CD, Rosário: Canções Inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa (Paulus Gravadora). O lançamento do álbum que acontece hoje, dia do centenário do escritor, em show com entrada franca no Centro Cultural São Paulo. São 17 canções, das quais duas pertencem à tradição oral do norte mineiro (Aboio, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e Encomendação de Almas) e duas são de autoria de outros compositores: A Terceira Margem do Rio, de Milton Nascimento e Caetano Veloso, gravada por ambos, e Sagarana, de João de Aquino e Paulo César Pinheiro, registrada originalmente por Clara Nunes.

O som do Nhambuzim é resultado da fusão de diferentes gêneros e linguagem. Sua marca é o uso de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo, que incorpora traços do jazz e música erudita. É grande a ênfase no arranjo de vozes e nas conexões da música popular com formas de narrativa como a literatura regional e a contação de histórias. Em Rosário, a matriz sonora são aboios, cantos de rezadeiras e ritmos tradicionais mineiros (congada, catira, moçambique e folia de reis). As letras evocam Guimarães a partir do olhar dos compositores do grupo. Enquanto Pé no Chão é inspirada no livro Manuelzão e Miguilim, Redenção bebe do conto A Hora e Vez de Augusto Matraga. Acerto de Contas, por sua vez, surgiu de Grande Sertão:Veredas. O CD tem participação de Renato Braz, Um Miguilim, do violeiro Paulo Freire, Sagarana e Nonada de Mim e do acordeonista Gabriel Levy Arvorecer.

O grupo Nhambuzim existe desde 2002 e é formado por André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão), Sarah Abreu (voz) e Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais). “O sertão é o mote deste trabalho”, como explica o diretor musical Xavier.

O sertão de Guimarães Rosa em música

Grupo Nhambuzim lança CD com composições inspiradas na obra do autor

Por Beto Feitosa

O sertão de Guimarães Rosa vira música com o Nhambuzim. No ano em que se comemora o centenário de nascimento do escritor mineiro, o grupo paulistano lança seu primeiro CD, Rosário. Literatura e música se encontram em 17 faixas, grande parte composta exclusivamente para o projeto.

 

O Nhambuzim relê A terceira margem do rio, parceria de Caetano Veloso e Milton Nascimento já cantada por ambos, aqui apresentada com ótimo novo arranjo do grupo. Fechando o disco trazem Sagarana, de João de Aquino e Paulo César Pinheiro, já gravada por Clara Nunes em 1977. O folclore mineiro também foi aproveitado, com registros de músicas que estão na tradição oral como Aboio e Encomendação de almas.

 

Único romance e maior clássico de Rosa, Grande sertão: veredas, inspira a maior parte das composições do grupo. De suas páginas saíram músicas como Passagem para o nada, Nonada de mim, Notícia do norte, Acerto de contas, Cantiga do desvendar e Outras rosas. Outros contos e livros passam pelo disco.

 

O disco segue um clima entre o lírico e o rural. A idéia do grupo é juntar o sertão e a cidade nesse ambiente sonoro particular. A proposta de reler Guimarães é tarefa difícil. Viajar nas histórias e nos personagens do autor é um mergulho na rica obra literária. A matéria prima já é conhecida, ao grupo cabe traduzir isso em música, quase que em uma parceria.

 

Foi o próprio Guimarães Rosa quem disse que “o sertão está em toda parte”. Assim o Nhambuzim mergulha nesse universo mesmo estando no centro nervoso do país. A música vem em contraponto, cheia de sutilezas e meandros que remetem a outro ritmo, outra realidade. Se na literatura a palavra é fundamental, os textos ganham cuidado especial. As três vozes do grupo dialogam em bem cuidados arranjos vocais.

 

A experiência do Nhambuzim é louvável. A música viaja no mesmo cenário retratado por Guimarães Rosa. Dentre as tímidas homenagens pelo centenário do escritor, o CD Rosário aparece como a mais curiosa e inesperada. Literatura para ouvir, música para acompanhar a leitura.

Nhambuzim busca no sertão inspiração para primeiro disco

Grupo paulistano foi buscar a universalidade de Guimarães Rosa. A sonoridade é folk, com elementos urbanos e camerísticos.

Por Eduardo Tristão Girão

Batizado com o nome de uma ave do sertão (inhambu), o grupo paulistano Nhambuzim acaba de lançar seu disco de estréia, Rosário, inspirado no universo criado pelo escritor mineiro Guimarães Rosa, cujo centenário de nascimento é comemorado este ano. Com 17 faixas, o trabalho é predominantemente autoral, com sonoridade e letras que tendem ao folk, mas não aquela música caipira que ainda hoje teima em não sucumbir. Ainda que calcado muitas vezes em ritmos interioranos de Minas Gerais, o som do hepteto é mais urbano, com pitada da música de câmara e forte trabalho nos arranjos vocais.

“Achamos uma maneira de ser regional e universal, que é um pouco o que o próprio Guimarães Rosa fez”, explica Xavier Bartaburu, pianista do grupo. “Não é nossa intenção fazer música regional, o que seria pretensão, mas ela é muito rica. Não há como ignorá-la. Usar piano, por exemplo, é uma forma de dar nova significação a essa música.” O repertório reúne aboios e cantos de lavadeiras e de procissões, bem com ritmos tradicionais mineiros (congada, catira, moçambique e folia-de-reis, no caso). A maioria das letras foi escrita a partir da leitura de livros e contos do escritor mineiro.

O traço híbrido que marca esse primeiro trabalho também se justifica pela própria formação do grupo. A composição do Nhambuzim aponta para a diversidade: Xavier, que também é jornalista, veio da área erudita; o vocalista Edson Penha, que é professor de geografia, fazia parte de uma banda de rock e agora também toca berrante; o baixista Itamar Pereira veio do jazz; o percussionista André Oliveira atuava no maracatu; e Sarah Abreu, secretária, cantava música renascentista em coral. Completam o time Joel Teixeira (voz, violão e viola) e Rafael Mota (percussão).

Álibi A iniciativa de criar o Nhambuzim veio de Edson, principal compositor do grupo, que aos poucos foi se agrupando os demais integrantes. “A idéia era montar um trabalho inspirado em algum autor da literatura brasileira. Surgiu o nome do Guimarães Rosa. A obra dele é tão rica e dá tanto pano para a manga que descobrimos que ele é material para todo tipo de arte”, justifica. A intenção é continuar unindo música e literatura nos próximos discos. “É o olhar urbano resgatando culturas ameaçadas de extinção nos interiores do Brasil”, explica.
Sarah, nascida em Varginha, é a única mineira. “Ela é o nosso álibi”, brinca Xavier. À exceção de Rafael, cearense de Fortaleza, e Edson, que é de Dracena, interior de São Paulo, os outros músicos são da capital paulista. O grupo praticamente ainda não saiu de lá. Tocaram apenas em algumas cidades ligadas a Guimarães Rosa, como Três Marias, Andrequicé e Morro da Garça. Cordisburgo, cidade natal do escritor, ainda não entrou na agenda. “Já tocamos informalmente lá, mas ainda não conseguimos fazer um show, mesmo”, lamenta Xavier .

As canções que integram Rosário começaram a ser escritas logo que o grupo se formou, em 2002. “Ao longo desse tempo, fizemos 40 canções. Guardamos algumas, outras foram para o lixo. Foi um laboratório”, lembra Xavier. Ele, Edson e Joel são os compositores do disco e cada um se valeu de uma forma diferente de criação. O pianista, por exemplo, fez listas de palavras interessantes que lia nas obras de Guimarães e, a partir daí, escrevia. “Foi uma leitura pessoal de cada um de nós. A partir de um certo momento, passei a compor pensando na rítmica do sertão. No hora dos arranjos, misturamos tudo”, conclui.

Há canções inspiradas em Manuelzão e Miguilim, Grande sertão: Veredas e nos contos Seqüência, A hora e a vez de Augusto Matraga, Azo de almirante, A terceira margem do rio, Duelo e Os cimos, além de tradições orais recolhidas no interior de Minas, como Encomendação de almas e Aboio, e canções de terceiros, caso de A terceira margem do rio (Milton Nascimento e Caetano Veloso) e Sagarana (João de Aquino e Paulo César Pinheiro). Entre as participações especiais, Paulo Freire, Renato Braz e Gabriel Levy.

“O sertão está em toda parte. Para Guimarães Rosa, o sertão é tudo aquilo que é desconhecido, que nos dá medo e fascina. São Paulo não deixa nada a dever para o sertão de Riobaldo. As veredas, oásis que conectam as zonas áridas, também existem na cidade. Guimarães é uma vereda para nós. A arte é uma grande vereda”, diz.

Programação IEB/USP- 2º. Semestre/2008

Evento da Oficina Guimarães Rosa: Novas vozes, novas trilhas: leituras do texto roseano – 4as. Feiras das 19 às 21 Horas no IEB/USP

Dando continuidade à programação do 1º. Semestre/2008, em comemorações pelo centenário de nascimento de um dos principais escritores da literatura brasileira, a Oficina Guimarães Rosa do Instituto de Estudos Brasileiros, reinicia em agosto, a partir do dia 06, com novas apresentações.

Os interessados em apresentar suas experiências e trabalhos, devem enviar um resumo com a proposta da comunicação, breve apresentação do autor e indicação de um texto do autor mineiro para ser lido coletivamente. Serão reservadas uma hora para apresentação e debate e uma hora para a Roda de leitura.

A Oficina Guimarães Rosa reúne amantes pela obra do escritor mineiro. Desde 2004, o grupo encontra-se semanalmente no Instituto de Estudos Brasileiros para a Roda de Leitura -  leitura em voz alta e coletiva dos textos roseanos.

No primeiro semestre foram apresentados vários trabalhos de estudos comparados, re-leituras, adaptações para circo, teatro, músicas, poesias, fotografias, pinturas, todos originais de beleza ímpar que a literatura do nosso mestre Guimarães Rosa possibilita.

Venha participar também. Divulgue para alunos, professores, amigos, amantes e ou aqueles que querem conhecer a literatura Roseana. Não há necessidade de fazer inscrição nem pagamento.

Dia 06 de agosto:

Casa da Cultura do Sertão do Morro da Garça: Caetana Brito vem falar de sua experiência ao coordenar o concurso público para projetar a Casa da Cultura do Morro da Garça.

Luis Antônio Jorge, Flávia, Cássio e Pedro Brito, arquitetos que venceram o concurso apresentarão o projeto e sua concepção.… lá está o morro solitário, escaleno e solitário, belo como uma palavra… O morro deu recado… a eterna Marily Bezerra captou a mensagem e idealizou a Casa da Cultura para abrigar tradições e culturas sertanejas…

Leitura: O Recado do Morro

Dia 13 de Agosto:

Alexandre Moschella, músico, violonista vem apresentar Grande Sertão:Variações. Seu trabalho consiste em apresentar alguns trechos do livro Grande Sertão:Veredas com inserções de músicas de Villa Lobos e outros clássicos.

Músico premiado, levou este projeto para exterior, e apresentou recentemente na Capela da PUC/SP e na Festa do Manuelzão em Andrequicé (julho/2008).

Leitura: Grande Sertão:Veredas

Dia 20 de agosto:

Angélica del Nery, cineasta, fotógrafa, pesquisadora, realizando trabalhos em DVDs e em revistas sobre vários autores e personalidades, entre eles sobre a Profa. Gilda Mello e Souza, esposa do Prof. Antônio Cândido. Vem falar sobre 2 curtas de sua autoria: “Um livro para Manuelzão”, personagem do livro Manuelzão e Miguilim, e sobre “Uurucuia”, também rio-personagem citado em diversos textos do escritor.

Leitura: Uma estória de amor.

Dia 27 de Agosto:

Luis Antônio Jorge

Luis Antônio é professor da Fau e apresentará a pesquisa que, partindo da leitura da novela “Conversa de Bois”, de Sagarana, orientou um estudo sobre um dos artefatos emblemáticos da paisagem cultural do sertão: o carro-de-bois, definido como um engenho que fala dos temperamentos dos bois e das madeiras.

Proposta de leitura: “Conversa de Bois”, do livro Sagarana

Maiores informações com: gamamonica@yahoo.com.br (Mônica) ou rosaharuco@yahoo.com.br (Rosa)

 

 XX Semana Roseana em Cordisburgo/MG

Semana cultural homenageia 100 anos de Guimarães Rosa

Em sua vigésima edição, a Semana Roseana já é um evento tradicional no calendário cultural dos amantes da obra literária. Neste mês de julho, entre os dias 19 e 27, celebra os 100 anos de nascimento de um dos maiores escritores mineiros, do Brasil e do mundo – João Guimarães Rosa. A abertura solene da Semana será no dia 20, domingo, a partir das 18h, na Academia Cordisburguense de Letras. A data marcará o lançamento do carimbo postal comemorativo, que será usado pelos Correios durante a Semana, e a abertura da Exposição “Sertão Encarnado” na sala de exposição temporária do Museu Casa Guimarães Rosa – instituição vinculada à Superintendência de Museus da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais – que realiza a Semana Roseana, anualmente, em parceria com a Associação de Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa.

A Semana Roseana agita a cidade Cordisburgo – terra natal de Guimarães Rosa – com diversas atividades culturais e educativas gratuitas, atraindo visitantes de todo o país. Oficinas, mostras de filmes, seresta, poesia, literatura, teatro, palestras, debates, corrida de aventura e passeios ecológicos enriquecem a rotina da cidade em nove dias de programação. Pautadas em variadas linguagens artísticas, as atividades envolvem efetivamente a comunidade local, visando ao desenvolvimento sócio-cultural e à criação de oportunidades de fruição da obra de Guimarães Rosa. As atividades e seus desdobramentos são ainda fortalecidos com a participação de intelectuais, artistas, estudantes, professores e outros visitantes vindos das mais variadas partes do país.

Há 19 anos, a Semana Roseana acontece, recebendo cerca de cinco mil participantes a cada edição. Ações culturais como essa, desenvolvidas pelo Museu Casa Guimarães Rosa, possibilitam ao público uma nova compreensão do texto literário de Guimarães Rosa ao aproxima-lo das experiências reais vividas pelos conterrâneos do escritor. O Museu se estabelece como uma referência cultural para a cidade, manifestada através da intimidade com que os cidadãos usam seu espaço e participam das atividades por ele promovidas.

A XX Semana Roseana é realizada com o patrocínio da Petrobras, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e o apoio da Prefeitura Municipal de Cordisburgo, da Academia Cordisburguense de Letras e da Câmara Municipal de Cordisburgo.

XX Semana Roseana “Centenário de João Guimarães Rosa”

19 a 27 de julho
Abertura: 20 de julho – domingo às 18h
Local: Academia Cordisburguense de Letras
Realização: Museu Casa Guimarães Rosa
Rua Padre João, 744. Cordisburgo.

Clique aqui para ver a programação!

Diário do Grande ABC – Suplemento Cultura & Lazer

CULTURA

Antes e depois de Guimarães Rosa

Músicos se inspiram no autor

Em todo fim de tarde o nhambu, uma ave do sertão, anuncia com o seu canto o pôr-do-sol, é o começo da noite com os seus sortilégios. Conhecido como nhambu-relógio por demarcar a hora do lusco-fusco, palavra da predileção de Rosa, o nhambu aponta para o fim do trabalho: é a entrega à cantoria. Inspirado nesse pássaro que volta e meia aparece nas obras de Guimarães Rosa, um grupo paulistano – que se vale do regional para produzir uma música em direção ao universal – se batizou de Nhambuzim, acrescentando o carinhoso diminutivo.

“Guimarães Rosa conta, a gente canta e reconta”, diz o pianista Xavier Bartaburu sobre a fórmula do Nhambuzim no primeiro CD, Rosário. O trabalho será apresentado em show gratuito hoje, às 19h30, no Centro Cultural São Paulo (tel.: 3383-3400).

“Mas é preciso deixar claro que o Nhambuzim não é o grupo do Guimarães Rosa, usamos os personagens e enredos, a mitologia do sertão, que ele inventou como gatilho das nossas criações”, diz o compositor Edson Penha.

Nhambuzim é mais uma confirmação da tendência da obra rosiana de extrapolar os limites da literatura brasileira, para a qual é poderoso modelo até hoje, para servir de alicerce à música, ao teatro e ao cinema. Com resultados notáveis,como o longa-metragem A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (1965), de Roberto Santos, a encenação de Grande Sertão: Veredas por Antunes Filho e as composições de Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros.

Breve postaremos o video aqui.

A superação dos limites regionais

Nhambuzim lança Rosário, CD com 17 canções inspiradas no universo ora violento, ora esperançoso do escritor mineiro

Por Francisco Quinteiro Pires

Em todo fim de tarde o nhambu, uma ave do sertão, anuncia com o seu canto o pôr-do-sol, é o começo da noite com os seus sortilégios. Conhecido como nhambu-relógio por demarcar a hora do lusco-fusco, palavra da predileção de Rosa, o nhambu aponta para o fim do trabalho: é a entrega à cantoria. Inspirado nesse pássaro que volta e meia aparece nas obras de Guimarães Rosa, um grupo paulistano – que se vale do regional para produzir uma música em direção ao universal – se batizou de Nhambuzim, acrescentando o carinhoso diminutivo.

“Guimarães Rosa conta, a gente canta e reconta”, diz o pianista Xavier Bartaburu sobre a fórmula do Nhambuzim no primeiro CD – Rosário. O trabalho será apresentado em show gratuito hoje, às 19h30, no Centro Cultural São Paulo. “Mas é preciso deixar claro que o Nhambuzim não é o grupo do Guimarães Rosa, usamos os personagens e enredos, a mitologia do sertão, que ele inventou como gatilho das nossas criações”, diz o compositor Edson Penha. Nhambuzim é mais uma confirmação da tendência da obra rosiana de extrapolar os limites da literatura brasileira, para a qual é poderoso modelo até hoje, para servir de alicerce à música, ao teatro e ao cinema. Com resultados notáveis, a provar o longa-metragem A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos, a encenação de Grande Sertão: Veredas por Antunes Filho e as composições de Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros.

Das 17 faixas que compõem Rosário, 13 são de autoria de três integrantes do grupo – Xavier Bartaburu, Edson Penha e Joel Teixeira (voz, viola e violão). A inspiração no rico criador de palavras que é Guimarães Rosa ampara o cuidado com as composições do trio. Mas eles não pretendem ser inventores de um novo vocabulário: as letras das canções surgem apenas de uma interpretação mergulhada na subjetividade. Os compositores do Nhambuzim dizem correr o risco do compor livremente sobre os livros de Rosa. “Não quero sugar o texto do escritor, eu apenas faço uma leitura com musicalidade e ritmo dos elementos do universo dele”, diz Edson Penha, que compõe tanto em cima de trechos como de contos inteiros. “Ele é um monstro, quero me manter dentro de uma proximidade que não destrua nem complique o trabalho de Guimarães Rosa”, completa.

A universalidade do escritor mineiro é um dos valores do Nhambuzim. Dizendo-se sertão sem deixar de ser cidade, brasileiro sem deixar de ser universal, o grupo criado em 2002 apóia-se no seguinte pilar: as canções ganham um cuidadoso arranjo de vozes e se aliam a diferentes formas narrativas como a literatura oral.

Em cada canção, aparecem, às vezes simultâneas, às vezes em seqüência, as vozes de Edson Penha, Joel Teixeira e Sarah Abreu, que formam o Nhambuzim com Xavier Bartaburu (piano), André Oliveira (percussão), Itamar Pereira (baixo) e Rafael Mota (percussão). “A nossa forma de cantar está ligada às lavadeiras e rezadoras do interior de Minas Gerais”, define Xavier.

O diálogo entre essas vozes e os instrumentos – piano ao lado de berrante, viola ao lado do baixo – cria uma atmosfera geral de esperança no milagre que é a vida, como está sugerido no título da obra-prima rosiana – Grande Sertão: Veredas. Aqui veredas significando regato, arroio, pequeno curso de água que torna verde, mais vivo, uma terra dura. Se o sertão pode significar a violência como em Acerto de Contas (Joel Teixeira e Edson Penha), que trata da batalha mortal entre Diadorim e Hermógenes, em Grande Sertão…, ele pode ser o ambiente do afeto como em Um Miguilim (Xavier Bartaburu e Edson Penha), canção inspirada no menino protagonista da novela Campo Geral, do livro Corpo de Baile (1956). Grande Sertão… é a base de um bloco com sete canções do CD. Os livros Sagarana (1946), Primeiras Estórias (1962) e Tutaméia (1967) estão por trás de outras composições.

Além das canções autorais, Rosário traz duas obras originadas na tradição oral do Norte de Minas: Aboio e Encomendação de Almas, além de A Terceira Margem do Rio (Milton Nascimento e Caetano Veloso) e Sagarana (João de Aquino e Paulo César Pinheiro).

Xiló é o segundo trabalho de Zé Modesto e está entre as boas novidades do ano. CD caprichado, bem bolado, com belas composições e arranjos. Tem participação de Ana Leite, Ceumar, Dalci, Marcelo Pretto, Renato Braz, Rubi, Mateus Sartori, Zé Vicente e do grupo Nhambuzim. Já està à venda nas boas lojas do ramo ou com o próprio Zé no link acima.

O trabalho do Camiranga é mais um daqueles que não pode faltar em nossa discoteca. Tem sonoridade deliciosa, composições e arranjos maravilhosos e uma produção gráfica lindíssima. O CD pode ser adquirido gratuitamente, clicando aqui, mas Camiranga avisou que será por pouco tempo.


O programa foi ao ar dia 03/06/2008. Para assistir basta entrar no site e clicar na data do menu à esquerda.

Não perca! Texto e interpretação surpreendentes de Adriana Fortes.

“É curiosa esta sensação de chegada…

Hoje que A Curandeira chega até aqui, sinto-me como uma andarilha, mas do sertão que é dentro de nós, e com um sentimento de ter passeado por lugares antes desconhecidos em mim.

‘Há em mim um grito que não é capaz de parir palavras’ eu dizia a um autor, quando tudo o que queria era um texto poético que, no mergulho necessário à representação, pudesse matar minha sede de Confraria das Três Águas.

Bifurca! – Era necessário criar o texto. Caminhar no escuro era necessário. Segurança era só a de ter a Melani por perto! E poder contar com as perguntas do Maia, sempre combustível para acender a lamparina das idéias.

E às vezes era parar. - Pra colher ingredientes na beira do caminho, pra pedir alimentos de aprendizado, pra ouvir a própria dor de olhar o mundo como está.

E seguir! Aprendendo com o próprio caminho e muitas vezes abrindo novas bifurcações sem a certeza de se por ali seria possível trilhar.

Trilhamos - e hoje chegamos a um novo lugar. Lugar de encontro. Um novo ponto de partida.

E desse caminho que não tem parada – até parece rio! - já diria Guimarães Rosa: ‘O rio não quer chegar a lugar nenhum. Ele só quer chegar a ser mais fundo’”

Adriana Benetti Fortes

Excelente montagem!

O texto de Terry Johnson é brilhante, a direção e adaptação de Beatriz Bologna está perfeita, a produção é de primeira e o elenco é ótimo e super afiado. Aproveite que a temporada é curta.

Ágora Teatro: Rua: Rui Barbosa, 672 – Bela Vista – São Paulo/SP – Tel. (11) 3284.0290

O violeiro Rodrigo Delage apresenta seu novo trabalho, “Águas de uma saudade”. É um CD primoroso e com grande influência do mestre João Rosa.

Mais informações em www.rodrigodelage.com.br

O compositor Wagner Dias lança seu primeiro CD, “Casa de Brincar”. Um trabalho doce, carinhoso, delicado e com belos desenhos de Pedro Ribeiro.

O CD conta com várias canções inspiradas no universo roseano, entre elas “Som de passarim”, “Última gota” e “Tamanho de Minas”. Vale a pena conferir.

O CD pode ser adquirido com o próprio autor: wgdsantos@gmail.com

A Just TV é uma Emissora de Televisão via Internet independente com programação gravada e ao vivo.

27/06/2008

BRASIL COMEMORA CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO ESCRITOR GUIMARÃES ROSA

REPÓRTER: SABRINA PIRES

HÁ EXATOS 100 ANOS NASCIA UM DOS MAIORES ESCRITORES BRASILEIROS, JOÃO GUIMARÃES ROSA. AUTOR DE OBRAS COMO “GRANDE SERTÃO: VEREDAS”, INTRODUZIU UMA NOVA MANEIRA DE ESCREVER. REPRODUZIA E ATÉ CRIAVA FALAS E EXPRESSÕES TÍPICAS DO SERTÃO. EM SÃO PAULO, O CENTENÁRIO DE GUIMARÃES ROSA É COMEMORADO AGORA À NOITE COM BOA MÚSICA, INSPIRADA NO UNIVERSO DO ESCRITOR.

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