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Agosto 14, 2009
ACONTECEU: Música Contraposto no Festival da Canção -MG em 2009
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Agosto 3, 2009
ACONTECEU: World Science Festival 2009: Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale, junho de 2009
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Agosto 3, 2009
ACONTECEU: Paulo Freire lança CD-Livro NUÁ: As músicas dos mitos brasileiros, julho de 2009.
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Paulo Freire lança CD-Livro NUÁ: As músicas dos mitos brasileiros
O novo trabalho do amigo-padrinho violeiro Paulo Freire está “fabuloso”. Tanto as músicas, quanto os contos presentes são imperdíveis.
O texto abaixo encontra-se na contra-capa do CD-livro:
Em NUÁ – As músicas dos mitos brasileiros, o violeiro Paulo Freire mostra, em doze temas instrumentais, seus encontros com os seres que povoam nossas matas e o imaginário brasileiro.
O CD tem arranjos de Léa Freire, Nailor Proveta, Bocato, Paulo Braga, Nenê, Ronaldo Saggiorato, Toninho Ferragutti, Valéria Bittar e Luiz Fiaminghi (grupo Ânima), Tuco Freire, Paulo Freire; e apresenta também a música experimental feita com esculturas sonoras e instrumentos inusitados do grupo Sonax.
Para complementar, o álbum traz um encarte-livreto, em que o violeiro conta os doze causos envolvendo os mitos brasileiros, com comentário da antropóloga Betty Mindlin e ilustrações de Kiko Farkas, também responsável pelo projeto gráfico.
Julho 21, 2009
ACONTECEU: Crítica no site Feito no Brasil, 19 de julho de 2009.
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NHAMBUZIM - ”Rosário” (2008)
Publicado em 19/07/2009 por Lucas Ed.
Tal qual a vida, a internet é um negócio cheio de surpresas. Outro dia, acredito que estava procurando imagens da versão global de “O Grande Sertão: Veredas”, obra máxima de Guimarães Rosa, e que na versão para a Tv contou com Tony Ramos no papel de Riobaldo/Tatarana.
Daí me deparei com essa imagem acima, a capa de um CD. De um desconhecido grupo chamado “Nhambuzim”, o álbum de nome “Rosário” trazia, logo abaixo do título a descrição de que eram “Canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa”. Foi o suficiente, fiquei instigadíssimo. Como o link da imagem remetia a um famoso blog de downloads de discos, resolvi arriscar. Deu no que deu.
“Rosário”, disco de estréia da banda, é esplêndido. Uns arranjos regionais sem soar com aquele pedantismo intelectualóide de quem se quer ver vanguarda ou com aqueles que parecem ter parado no tempo. As vozes são deliciosas: há momentos em que Sarah Abreu canta e o mundo parece que pára lá fora. E as letras, que geralmente são o meu ponto favorito numa canção? Não ficam atrás nem por um minutinho que seja. Recheado de composições próprias (permeadas por canções de domínio público – “Aboio” e “Encomendação das Almas”; e outras duas de grandes nomes da música brasileira, como Paulo Cesar Pinheiro – “Sagarana” e Caetano fazendo dupla com Milton Nascimento em “A Terceira Margem do Rio”), as menções ao sertão de Rosa variam de intensidade: ora são explícitas no conteúdo (”Notícia do Norte”), ou na linguagem com conteúdo (”Nonada de Mim”, minha favorita), e outras vezes acabam sendo mais sutis (como na própria “A terceira margem do rio”). O resultado é que o disco passa longe de ser uma aula de literatura cantada. É um som gostoso que acompanha bem não só o sertão de Rosa, como outros sertões. Uma única chateação é a “dificuldade” para adquirir o disco. Na net, ele só é encontrado no site da Paulus (e o preço está bem pouco convidativo, R$ 30,00). Ainda não tive tempo de visitar a loja (tijolal) da editora para ver se o preço encontra-se mais agradável. Se bem que, pela qualidade do material, vou acabar desembolsando a quantia uma hora ou outra.
Julho 21, 2009
Julho 15, 2009
AGENDA: XXI Semana Roseana em Cordisburgo/MG, de 29 de Julho 01 de Agosto de 2009
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Julho 11, 2009
ACONTECEU: Repercussão positiva da oficina Nhambuzim realizada durante o XVI Festival de Artes de Itu, Sexta-feira, 10 de julho de 2009 .
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Alunos da oficina de ritmos se apresentam em Itu
Os alunos da oficina de prática de canto e ritmos populares brasileiros, realizada gratuitamente pelo XVI Festival de Artes de Itu, se apresentaram na tarde de terça-feira, 7 de julho, no palco do evento, montado no Largo do Carmo (Praça da Independência). A apresentação marcou o encerramento da oficina, que foi ministrada nos dias 6 e 7 por integrantes do grupo Nhambuzim, uma das atrações do festival ituano.
Durante esse período, os participantes aprenderam noções de técnica vocal direcionada ao canto popular e conheceram instrumentos musicais e de manifestações populares, em especial as oriundas do norte do Estado de Minas Gerais. De acordo com Jacqueline Sorrentino, uma das alunas, o principal atrativo da oficina foi “aprender um tipo de música diferente”.
Outra participante da oficina do XVI Festival de Artes de Itu foi a jovem Bruna Ramos, que avaliou a oportunidade como “muito proveitosa”. Bruna comentou que seu interesse em participar foi “estritamente artístico” e qualificou os ensinamentos passados pelos instrutores como “excelentes”.
Na opinião de Mariana Passoni, mais uma aluna, a vontade de fazer a oficina veio de pesquisas que indicaram o grupo Nhambuzim como uma referência. A garota, que tem intenção de trabalhar com arte, acredita que a participação no festival será útil “tanto artisticamente, quanto profissionalmente”.
O XVI Festival de Artes de Itu realiza ainda as oficinas de Percussão com Nélson Carneiro (dias 9 e 10 no Espaço Cultural “Almeida Junior”) e de Graffiti com André Monteiro, o “Pato” (dias 9 e 10 no Centro Administrativo Regional do Pirapitingui).
Todas as oficinas ministradas, assim como os espetáculos artísticos, são oferecidas gratuitamente à população. O XVI Festival de Artes de Itu é uma realização do Governo do Estado e da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.
Fotos da oficina Prática de Canto e Ritmos Populares Brasileiros:
Fotografo amador de plantão: Edson Penha
Julho 2, 2009
ACONTECEU: Crítica no site Revista Música Brasileira, junho de 2009.
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Especial
Nhambuzim canta Guimarães Rosa
Em 2008 foi comemorado o centenário de nascimento de João Guimarães Rosa, o genial criador dos contos de Sagarana, das novelas de Corpo de Baile e do magistral romance Grande Sertão: Veredas.
A invenção de uma linguagem que mistura arcaísmo e modernidade, norma culta e sintaxe sertaneja, impressionou muita gente. Sua influência ultrapassou fronteiras, e pode ser sentida hoje na prosa do moçambicano Mia Couto ou do poeta goiano Manoel de Barros, entre outros.
A literatura de Rosa marcou também artistas plásticos, cineastas, dramaturgos, coreógrafos e músicos. Compositores como Caetano Veloso, Milton Nascimento e Paulo César Pinheiro enfrentaram o desafio de recriar musicalmente a linguagem roseana.
Eles estão presentes num dos CDs mais interessantes lançados no ano passado: Rosário – Canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa (Paulus, 2008), do grupo Nhambuzim. Formado em 2002 por músicos radicados em São Paulo, o grupo encontrou na obra do escritor mineiro inspiração para criar uma suíte de canções que dialoga com seus personagens.
Treze das dezessete composições do disco são originais, com títulos roseanos como Um Miguilim, Cantiga do Desverdear ou Nonada de Mim. Completam o CD um Aboio e uma Encomendação das Almas, recolhidas no norte de Minas Gerais. De forma reverente, regravam as músicas consagradas de Caetano/ Milton (A Terceira Margem do Rio) e João de Aquino/ Paulo César Pinheiro (Sagarana), esta última registrada de forma luminosa por Clara Nunes no disco As Forças da Natureza (1977).
As vozes de Edson Penha, Sarah Abreu e Joel Teixeira (que também toca violão e viola), em solo, duo ou trio, são acompanhados pelo piano de Xavier Bartaburu, o baixo de Itamar Pereira e a percussão de André Oliveira e Rafael Mota. O CD conta com participações especiais de Renato Braz (vocal), Gabriel Levy (acordeon) e Paulo Freire (viola caipira).
O grupo Nhambuzim apresenta no palco uma concepção cênica coerente com o universo representado. As canções, inspiradas em situações e personagens literários, têm um toque de dramaticidade e poesia, ora doce ora áspera. Os arranjos vocais de Bartaburu mostram a influência das toadas mineiras, harmonizadas com delicadeza e competência.
Rosário – show e CD – é uma experiência capaz de emocionar iniciados na obra de Guimarães Rosa e motivar iniciantes a mergulhar nas veredas do grande sertão.
Junho 27, 2009
ACONTECEU: NHAMBUZIM na OCA – 28 Julho de 2009
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NHAMBUZIM na OCA
- Parque do Ibirapuera -
28 de julho, ás 17h
Av. Pedro Álvares Cabral, portão 3
Ingressos: R$ 11,00 e R$ 5,50 (meia)
Inclui entrada para a exposição Mulheres do Planeta de Titouan Lamazou
Integrando as comemorações do ano da França no Brasil, o artista Francês Titouan Lamazou apresenta um amplo painel da mulher contemporânea por meio da fotografia, pintura, vídeo, texto e desenho realizados pelo artista durante sete anos de viagens pelos cinco continentes do mundo.
Junho 20, 2009
ACONTECEU: NHAMBUZIM no XVI FESTIVAL DE ARTES DE ITU – 4, 6 e 7 Julho de 2009
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XVI FESTIVAL DE ARTES DE ITU
APRESENTAÇÃO
Espetáculo Rosário
04 de julho, 19h30 – Centro de Itu – Praça da Independência (Largo do Carmo)
OFICINA NHAMBUZIM
Prática de Canto e Ritmos Populares Brasileiros com os músicos do Nhambuzim
6 e 7 de julho, das 9h às 12h e das 14h às 17h – Espaço Cultural Almeida Júnior – Rua Paula Souza, 664 – Centro – Itu
A oficina visa levar ao público informações sobre o universo da música popular brasileira através de canções tanto de domínio público quanto as compostas pelo grupo. Noções de técnica vocal direcionada ao canto popular e de percussão corporal. Apresentação de instrumentos musicais e de manifestações populares do norte de Minas Gerais. Música em movimento e sintonia corpo-voz.
Maio 31, 2009
ACONTECEU: NHAMBUZIM – Junho e Julho de 2009
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PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES!
20 de Junho de 2009: Pocket Show na Livraria Cultura do Market Place Shopping Center – Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 – São Paulo/SP, às 18h, entrada gratuita.
04 de Julho de 2009: XVI festival de Artes de Itu – Praça da Independência, Itu – São Paulo, às 19h.
Maio 14, 2009
ACONTECEU: Crítica em site italiano, Musibrasil,domingo, 10 de maio de 2009.
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MUSIBRASIL – Recensioni di CD: Nhambuzim – “Rosario” – Paulus – 2008
Di Mauro Montalbani
Il gruppo vocale paulista Nhambuzim, paradossalmente, vista la provenienza metropolitana, ha dedicato la propria carriera alla riscoperta delle sonorità più folkloristiche del Brasile, seguendo una linea che scende direttamente dai dischi dell’etichetta Marcus Pereira, soprattutto della serie “Musica popular”. In particolare, il disco Rosario è totalmente dedicato a celebrare la poetica di João Guimaraes Rosa, e soprattutto del suo “Grande Sertão”. Nato come spettacolo per comemmorare il centenario della nascita dello scrittore, Rosario ha fortunatamente trovato il proprio approdo su cd, per permettere a chi non ha potuto vedere lo spettacolo di apprezzare i raffinati impasti vocali del gruppo. I brani, si diceva, sono tutti ispirati a opere di Guimaraes Rosa, salvo l’iniziale “Aboio”, tradizionale mineiro, e così, a partire da “Pé no chão”, che riflette le suggestioni evocate da “Manuelzão e Miguilim”, il disco intraprende uno struggente viaggio nell’opera poetica del grande scrittore mineiro. In particolari, brani estremamente evocativi come “Um Miguilim”, esprimono l’alto livello dell’ispirazione del gruppo: non a caso, peraltro, alcuni tra i brani più riusciti del disco traggono la propria ispirazione da “Grande sertão: veredas”, uno dei capolavori incontestati della letteratura, un’opera che per complessità e ambizioni rivaleggia con l’”Ulisse” di Joyce, e non esce certo sconfitta dal confronto. Così, la tetralogia centrale, composta da “Nonada de mim”, “Noticia do norte”, “Acerto de contas” e “Cantiga do desverdear”, tutte scritte traendo ispirazione da “Grande sertão”, fornisce il nucleo pulsante del disco, in cui gli intensi e lirici vocalismi del gruppo, sostenuti da un sobrio apparato strumentale, sembrano particolarmente adatti ad evocare le atmosfere del libro. Il disco non è sicuramente un’opera che si pone come obiettivo primario quello di poter incontrare i gusti di tutti, ma forse è proprio il rifiuto di compromessi espressivi a rendere particolarmente affascinante il risultato, da esaltare magari rileggendo le pagine di “Grande Sertäo” o di “Miguilim”.
Abril 22, 2009
ACONTECEU: Diário do Nordeste, Caderno 3, sexta-feira, 22 de abril de 2009.
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Coluna Mingau Pop
Por Henrique Nunes
No centenário de Guimarães Rosa, o grupo paulistano Nhambuzim enleva com seus arranjos vocais e instrumentais, na companhia de convidados como o violeiro Paulo Freire e o cantor Renato Braz. A homenagem toma composições próprias, em formato acústico contemporâneo, tomando como base a oralidade e os ritmos tradicionais mineiros, em torno de textos clássicos de Guimarães, além de outras reverências conhecidas: ´A terceira margem do Rio´ (Milton Nascimento e Caetano Veloso) e ´Sagarana´ (João de Aquino e Paulo César Pinheiro).
Fevereiro 21, 2009
ACONTECEU: video do show no Sesc Ipiranga (13/09/08).
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Fevereiro 4, 2009
ACONTECEU: NHAMBUZIM no ENGA (Encontro Nacional de Geografia Agrária) na USP – Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2009
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Dezembro 29, 2008
ACONTECEU: Fotos do show no Sesc Ipiranga (13/09/08)
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Fotos: Valdemir Cunha
Dezembro 28, 2008
ACONTECEU: Jornal Valor Econômico, sexta-feira, 19 de dezembro de 2008.
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Palavra e partitura
Por João Correia Filho, para o Valor, de São Paulo 19/12/2008
Vai viajar? Vai levar um livro e um CD na bagagem? Pois tem um grupo que uniu as duas coisas, literatura e música, palavra e partitura, num só trabalho. Ao se debruçar sobre a obra do escritor João Guimarães Rosa, sete músicos resolveram formar uma banda e compor, cantar e poetizar o que esse grande mestre deixou no papel. O sertão, seus personagens, a natureza, a infância e outros temas abordados por Rosa são a base de letras e melodias do grupo Nhambuzim, formado em 2002, que gravou seu primeiro CD, “Rosário” neste ano, quando se comemora o centenário do escritor.
Foi num apartamento da capital paulista, entre edifícios e ruas movimentadas, que parte dos integrantes se reuniu e viu que tinha algo em comum – a paixão pelo universo rosiano. Wagner Dias, violonista, que não está mais no grupo, havia composto “Estória de Navegar”, inspirado no conto “A Partida do Audaz Navegante”, do livro “Primeiras Estórias”. O compositor Edson Penha lia pela segunda vez “Grande Sertão: Veredas” e percebeu que algumas passagens tinham mexido tanto com ele que facilmente virariam músicas. “A travessia do Liso do Sussuarão, a morte de Joca Ramiro e a morte de Diadorim ficaram na minha cabeça e me deram um estalo – por que não montamos um projeto musical com base nas obras do Guimarães?”, conta.
O projeto inicial chamou-se Paisagem Cantada, pois tinha como base as paisagens descritas pelo escritor. “A paisagem é um dos elementos que Guimarães Rosa utiliza para nos fazer entender o ser humano. Essa também é uma de nossas bases para explorar esse ’sertão que está dentro da gente’”, completa o músico, parafraseando o personagem Riobaldo Tatarana, de “Grande Sertão:Veredas”.
Mais músicos foram incorporados e o grupo tornou-se algo maior que o projeto inicial. Virou o Nhambuzim, hoje com sete integrantes: Sarah Abreu, Edson Penha e Joel Teixeira nas vozes, André Oliveira e Rafael Mota na percussão, Itamar Pereira no baixo e Xavier Bartaburu no piano.
Eles contam que sempre foi uma de suas preocupações não virar um grupo regional, baseado apenas na viola e na percussão, mas sim manter o pé nas duas margens – a cultura popular e a música contemporânea. Penha explica que essa equação musical foi resolvida naturalmente com a entrada do baixo de Itamar Pereira e do piano de Bartaburu, que deram um tom mais contemporâneo às canções.
Uma prova dessa mistura bem-feita é a música de abertura, “Aboio”, que resgata um aboio tradicional do norte de Minas, mas o traduz com várias vozes e o vocal predominantemente feminino de Sarah Abreu. Muito relacionados ao universo masculino, os aboios são músicas e sons que os boiadeiros entoam para tocar o gado.
O trecho interpretado pelo Nhambuzim foi recolhido de um videodocumentário sobre a vida de Manuel Nardy, vaqueiro que inspirou o personagem Manuelzão, do livro “Manuelzão e Miguilim”. Tal vídeo, intitulado “O Torto Encanto de Manuelzão”, foi produzido por mim em 1993, como projeto de conclusão do curso de jornalismo. Reconta a vida do vaqueiro que ficou famoso por ter sido guia e capataz de uma viagem que Rosa fez pelo sertão em 1952.
O escritor acompanhava uma comitiva de 300 cabeças de gado, levada por oito vaqueiros da cidade de Três Marias a Araçaí (a 120 quilômetros de Belo Horizonte). Manuelzão era um deles. As anotações e impressões recolhidas por Rosa foram usadas mais tarde em suas obras. Em 1956, lançaria “Corpo de Baile” (que inclui “Manuelzão e Miguilim”) e “Grande Sertão: Veredas”.
Em “Pé no Chão”, a segunda faixa de “Rosário”, o grupo faz uma homenagem direta ao velho vaqueiro, morto em 1997, aos 92 anos, em Andrequicé, pequeno distrito a 300 quilômetros da capital mineira.
Em “Um Miguilim” recuperam outro importante personagem do escritor, tido como uma releitura de sua infância, vivida até os 8 anos na pequena cidade de Cordisburgo, interior de Minas. O grupo também faz forte referência ao lugar imaginário onde vivia Miguilim, o Mutum, nome de um pássaro do cerrado brasileiro. Aliás, o nome dessa ave faz lembrar que o nome do grupo, Nhambuzim, também deriva de um pássaro, o nhambu, que habita a mesma região. Nessa faixa o grupo ainda brinca com neologismos, recurso que o escritor usou de forma genial em suas narrativas: “Miguilim: brejal pra se campear/ Buriti: afã de nuvear/ Broto de pequi/ Terra de amanhar”, diz a letra de Edson Penha. A faixa, uma das mais belas do CD, conta com a participação do músico Renato Braz, na voz e percussão.
Outro ponto destacado em “Rosário” é a presença da água no universo rosiano. É comum relacionar o cenário do escritor com a secura da caatinga nordestina, enquanto se trata na verdade do cerrado ecossistema riquíssimo que cobre parte de Minas, Goiás e Bahia. Até mesmo a palavra vereda é atrelada apenas ao sentido de caminho, e não como um local do sertão onde brota a água, cercada de buritis e rodeada de animais. Hoje, um dos locais que ainda preservam esse cenário natural descrito pelo escritor é o Parque Nacional Grande Sertão: Veredas, no extremo norte de Minas. As veredas têm desaparecido ano após ano.
A música “Canoeiros” toca o tema ao fazer uma releitura do conto “Azo de Almirante”, do livro “Tutaméia”. O Nhambuzim também gravou “A Terceira Margem do Rio”, composta por Milton Nascimento e Caetano Veloso, cuja fonte de inspiração é o conto de mesmo nome, do livro “Primeiras Estórias”.
Há ainda outros contos que são cantados pelo grupo, como a música “Querência”, inspirada no conto “Seqüência”, também do “Primeiras Estórias”. Ou ainda “Arvorecer”, inspirada no conto “Os Cimos”, do mesmo livro. Essa faixa conta com a participação do acordeonista Gabriel Levy. O conto “Duelo”, de “Sagarana”, também ganhou versão musical e “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” foi traduzido na música “Redenção”.
“Grande Sertão: Veredas” é inspiração para 7 das 17 músicas do disco. “Passagem para o Nada” lembra a travessia de Riobaldo Tatarana pelo Liso do Sussuarão, um deserto mítico descrito por Rosa que até hoje instiga pesquisadores acerca de sua real existência. Muitos acreditam que Rosa se inspirou nas regiões secas do sul da Bahia, outros dizem que o Liso é na verdade o deserto do Jalapão.
Já “Nonada de Mim” reflete sobre o amor entre Riobado e Diadorim; “Outras Rosas” fala das mulheres que cruzam o caminho do personagem, como Norinhá, Maria Mutema e Otacília.
Para finalizar, interpretam “Sagarana”, de João de Aquino e Paulo César Pinheiro, praticamente um hino ao cerrado, gravado por Clara Nunes em 1977. A música, que atravessou os tempos, serve de referência ao Nhambuzim, que a partir do ano que vem vai começar a imprimir sua marca musical em outros projetos sem relação direta com o universo de Guimarães Rosa ou mesmo com a literatura.
Já pensando em novos vôos, Xavier Bartaburu deixa claro que o Nhambuzim não é um grupo que só faz músicas sobre a obra de Guimarães Rosa, embora tenha dedicado seu primeiro trabalho a ele. “A leitura de sua obra foi na verdade a chave para o grupo descobrir o que realmente quer fazer, que é manter sempre os pés na cidade e as vistas no sertão, tal como fez o escritor.”
Dezembro 1, 2008
Novembro 15, 2008
Novembro 11, 2008
ACONTECEU: NHAMBUZIM na Rádio USP – Quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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Dia 13/11, quinta-feira, às 13h: Nhambuzim participa, ao vivo, do programa VISITA VIP, apresentado por Miriam Ramos.
RÁDIO USP FM: 93,7 MHz
Ouça em tempo real aqui.









































