logo-fnac1Evento promovido pela Fnac Pinheiros, acontece no Fórum de Eventos Pinheiros, localizado à PRAÇA DOS OMAGUÁS, 34  -  PINHEIROS -  SÃO PAULO - Telefone (011) 3579-2000, entrada franca.

logo-bem-paranaPasseando por sonoridades diferentes do pop

Da redação

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Rosário — É o disco de estréia do Nhambuzim, que debuta ousando transformar em  música, a inspiração que recebeu da obra do escritor mineiro João Guimarães Rosa. Interessante, também. As 17 faixas são lançamento da Paulus, e quer também lembrar os 100 anos de nascimento do mineiro. Para construir o repertório, o grupo incluiu composições próprias,  junto de cantigas tradicionais do norte mineiro, além de algumas releituras de clássicos como “A Terceira Margem do Rio”, de Caetano e Milton, e “Sagarana”, parceria de João de Aquino e Paulo César Pinheiro conhecida na voz de Clara Nunes.
O disco tem participação do cantor Renato Braz, do violeiro  Paulo Freire e do acordeonista Gabriel Levy, com direção artística de Tom Viana. É um álbum bem mais cerebral, conceitual que nasceu bem produzido, tem nuances vocais, sotaques e arranjos apurados que criam um conjunto interessante e cheio de detalhes.  Quem conhece a obra do autor, é provável, sentir-se-à ainda mais integrado a este universo. Uma estréia legal.

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CANTANDO ROSA

Os textos de Guimarães Rosa, com seus fluxos e refluxos de palavras e neologismos recriando os sons perdidos do sertão mineiro, têm sonoridade própria, quase alçam vôo como notas musicais. Foi por essa vereda que se embrenhou o grupo Nhambuzim, no espetáculo Rosário, feito em comemoração ao centenário de Guimarães Rosa e que agora chega em disco. Com letras baseadas em passagens de Grande Sertão: Veredas, Sagarana e outras obras do autor e uma sonoridade tradicional, marcada pela paisagem do norte de Minas, Rosário se ouve como livro e se lê como música, desfazendo a fronteira entre os gêneros. A maioria das canções foi composta pelo próprio grupo, com exceção de “A Terceira Margem do Rio”, parceria dos músicos Caetano Veloso e Milton Nascimento.

Universo de Rosa em disco conceitual

 

Bem longe do sertão, um grupo de São Paulo, “onde se ouve mais pio de buzina que de nhambu”, teve uma idéia difícil e original: fazer canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa. Com sucesso, a banda Nhambuzim (o nome faz referência ao pássaro cantador do sertão) conseguiu imprimir em música o atavismo peculiar da obra do escritor mineiro. Sinuoso e bem tocado, Rosário, o CD, é conceitual demais para ser escutado sem compromisso. Requer conhecimento de causa: escutar o álbum sem conhecer o universo rosiano pode causar estranhamento. Mas vale o esforço. E, para quem já explorou as veredas do escritor, agora há uma rota alternativa: a das paisagens musicais. 

    Evento organizado pela Hispania Línguas Latinas – Editora Ltda. e Rotary Club Jardim das Bandeiras realizado em prol dos projetos ‘Garçom Cidadão’, ‘Casas São José’ e ‘Ecoescola‘. O evento ocorreu no Esporte Clube Pinheiros, Auditório CCR, Rua Tucumã, 142, Jardim Europa 

O programa Prosa e Descompasso convidou Xavier Bartaburu para falar do grupo Nhambuzim. Edson Penha também participa.

Letra e Música: NHAMBUZIM – Guimarães Rosa

O professor Pasquale Cipro Neto comenta no Letra e Música a obra Rosário, um espetáculo que gerou um CD lançado em junho de 2008 pelo selo Paulus, em comemoração aos 100 anos de nascimento do escritor Guimarães Rosa

Terça-feira , 30/9/2008 às 13:00. Reapresentação: Sábado,4/10/2008 às 18:00.

Guimarães Rosa inspira repertório

 

Coluna Toques

Colunista Renato Mota

  

Formado em São Paulo, em 2002, o grupo Nhambuzim encarou uma empreitada difícil. Fazer música dentro do universo de Guimarães Rosa. Difícil, mas não impossível, como provam em seu primeiro CD Rosário- canções inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa (Paulus). Os músicos do grupo são André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, violão e craviola), Rafael Mota (percussão), Sarah Abreu (voz) e Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais).

O disco abre com Aboio, de domínio público, entoado pelo lendário Manuelzão (que virou personagem de Guimarães Rosa, no documentário de João Correia Filho, O torto encanto de Manuelzão, de 1993).

As demais canções são inspiradas em contos e romances de Rosa. Pé no chão, em Manuelzão e Miguilim, Passagem para o nada, em Grande Sertão: Veredas (com canja de Paulo Freire). Duas faixas que não são do grupo provêm de canções da mesma fonte de inspiração, A terceira margem do rio, Milton Nascimento/Caetano Veloso e Sagarana, João de Aquino/Paulo César Pinheiro.

O forte do Nhambuzim são as harmonias vocais, das quais uma das melhores está na faixa Notícia do Norte, inspirada em Grande Sertão: veredas.

CANCIÓN A QUEMARROPA

PROGRAMA DE MÚSICA DE AUTOR EN ONDA JOVEN EL ROSARIO, 103.6 FM (ISLAS CANARIAS, ESPAÑA). DIRECCIÓN Y PRESENTACIÓN: HÉCTOR MARTÍN.

cancionaquemarropa.blogspot.com

SESC-IPIRANGA apresenta:

Guimarães Rosa – Rosa Viva!

 

Em homenagem ao centenário de nascimento de João Guimarães Rosa, grande escritor brasileiro cuja obra literária é reconhecida mundialmente, o Sesc Ipiranga realiza uma programação por meio de diversas linguagens para o público amante da literatura roseana e para aqueles que querem se enveredar pelos fascínios do sertão de Minas Gerais. Autor de Grande Sertão Veredas, romance que marcou a literatura do século XX, Guimarães Rosa possui uma obra inesgotável, que inspira as artes e os artistas, encantando gerações. De 11 a 20 de setembro.

SESC IPIRANGA – rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo-SP. Tel: (11) 3340-2000
Clique aqui para acessar a toda a programação do evento 

 

Shows

 

PAULO FREIRE TRIODonas do Sertão. No ano em que se comemora o centenário de nascimento do escritor João Guimarães Rosa, o violeiro Paulo Freire apresenta um show dedicado às mulheres do sertão, em que vai apresentar o toque da Luduvina – famosa violeira do sertão; a dança “Apanhou, Geraldo”, que trata da surra que o cantador tomou de uma mulher, que não era só mulher; a música de São Gonçalo, santo padroeiro dos violeiros, casamenteiro das velhas e protetor das prostitutas; o causo da dona que beijou o padre e se transformou numa mula-sem-cabeça; a peleja do capeta com a moça bonita; o aboio da mulher do vaqueiro quando este some no mundo levando gado. E, para homenagear Guimarães Rosa, uma música que trata dos mistérios de Riobaldo e Diadorim. Dia 11/09. Quinta às 21h. Teatro. R$ 3,00 (trabalhadores no comércio e serviços matriculados), R$ 6,00 (usuário matriculado, 3ª Idade, aposentados, MIS, professores da rede pública e estudantes com carteirinha da UNE, UMES E UBES) e R$ 12,00 (outros).

  

NHAMBUZIM – Rosário. A obra do escritor mineiro João Guimarães Rosa é o grande impulso por trás do projeto Rosário. São canções compostas e interpretadas pelo grupo Nhambuzim que procuram traduzir e evocar, em música, o universo deste mestre da literatura. Obras como Grande Sertão: Veredas, Manuelzão e Miguilim, Primeiras Estórias e Sagarana são a base de um repertório que conta com quase vinte canções. Com participação especial de Gabriel Levy. Dia 13/09. Sábado às 20h. Teatro. R$ 3,00 (trabalhadores no comércio e serviços matriculados), R$ 6,00 (usuário matriculado, 3ª Idade, aposentados, MIS, professores da rede pública e estudantes com carteirinha da UNE, UMES E UBES) e R$ 12,00 (outros).

 

KÁTIA TEIXEIRA – Música de Veredas. Música de Veredas apresenta um repertório variado, harmonizando voz, violão e rabeca, acompanhada de viola caipira e viola de cabaça por Ricardo Vignini e Cássia Maria na percussão, obtendo assim timbres e nuances , num espetáculo de grande beleza. As músicas nos remetem à literatura de Guimarães Rosa como uma paisagem rica em imagens poéticas e sonoras e tem se a impressão de que se está de fato viajando pelos sertão, já que a sequência das músicas segue uma lógica de verdadeiro passeio pelos ritmos desta região do país.Participação especial da escultora Rita Russo. Dia 14/09. Domingo às 17h. Área de Convivência. Grátis.

 

JEAN E JOANA GARFUNKEL – Sertão na Canção. É um espetáculo composto por canções inspiradas no romance Grande Sertão – Veredas, de João Guimarães Rosa, permeado por trechos da narração da obra. Uma viagem pelo sertão roseano através dos atalhos da oralidade e da canção brasileira, traços essenciais de nossa identidade cultural. Para uns, um convite e um estímulo para conhecer um mundo novo; para outros, a possibilidade e o privilégio de revisitá-lo: um incentivo à leitura ou releitura. Dia 20/09. Sábado às 20h. Teatro. R$ 3,00 (trabalhadores no comércio e serviços matriculados), R$ 6,00 (usuário matriculado, 3ª Idade, aposentados, MIS, professores da rede pública e estudantes com carteirinha da UNE, UMES E UBES) e R$ 12,00 (outros).

Show de lançamento do CD Rosário

Fotos de Valdemir Cunha

 

 

  

 

  

05/09/2008NHAMBUZIM: SHOW ROSÁRIO (POCKET-SHOW) - Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, São Paulo, SP – Sexta-feira, 19h45. Entrada gratuita.

 

06/09/2008RENATO BRAZ CANTA E RECEBE SEUS CONTEMPORÂNEOS (participações especiais de Nhambuzim e Mário Gil) - SESC-Santana – Av. Luiz Dumont Vilares, 579, Santana, São Paulo, SP – Sábado, 21h. Ingressos: R$ 16,00 (inteira), R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).

 

13/09/2008NHAMBUZIM: SHOW ROSÁRIO (participação especial de Gabriel Levy) – SESC-Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo – SP- Sábado, 20h. Ingressos: R$ 12,00 (inteira), R$ 6,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). 

 

Lançamentos

NHAMBUZIM

Rosário

O grupo paulistano foi ao universo literário de Guimarães Rosa para compor este álbum inspirado em livros do escritor mineiro, fazendo referências a personagens como o vaqueiro Manuelzão, Miguilim, Diadorim, Nhorinhá, Joca Ramiro e Augusto Matraga. O disco ainda traz novos arranjos para a música A Terceira Margem do Rio, composta por Milton Nascimento e Caetano Veloso.

Música e literatura: a união faz a força

Com “Jorge Amado” e “Rosário”, surge uma nova mídia onde a prosa ganha o universo fonográfico

Por Thiago Corrêa

 

A música e a literatura são duas artes que se identificam na poesia, mostrando semelhanças na métrica, no ritmo e nas rimas. Mais que isso, essa relação agora avança para a prosa, com o lançamento dos discos “Jorge Amado” e “Rosário”. O primeiro é fruto da parceria entre a gravadora Biscoito Fino e a Companhia das Letras, numa ação em conjunto ao relançamento da obra completa do escritor baiano.

Apesar do CD ser um suporte mais próximo do meio musical, o álbum “Jorge Amado” é um produto essencialmente literário. A editora selecionou trechos da obra do baiano para que fossem interpretados pelos atores Lázaro Ramos e Fernanda Montenegro. Os dois gravaram suas leituras dramáticas e só depois o músico Francis Hime fez suas intervenções ao piano, dando contornos musicais a partes do texto de Jorge Amado.

A grande dama do teatro brasileiro ficou encarregada dos trechos de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Tocaia Grande” e “Mar Morto”; enquanto Lázaro Ramos lê momentos de “Capitães da Areia”, “Terras do Sem-fim” e “Gabriela, Cravo e Canela”. O talento dos dois atores é inegável: só pela voz, eles nos fazem imaginar as suas expressões, num eficiente convite à leitura.

Ao fundo, em segundo plano, o piano de Francis Hime funciona como uma trilha sonora às narrações dos atores. Para rechear essas passagens, Hime aproveitou composições próprias e músicas de Chico Buarque, Tom Jobim e Dorival Caymmi.

Em “Capitães da Areia”, por exemplo, quando a voz de Lázaro conta o sofrimento de Pedro Bala durante a prisão no reformatório, as intervenções do pianista são minimalistas, com longas passagens de mudez. Um silêncio que ganha ainda mais significado em meio aos temas musicais “Anoiteceu”, “O Rei de Ramos”, “Canção Transparente”, “Lundú” e “Último Retrato”.

 

GUIMARÃES ROSA
O outro disco é “Rosário”, do grupo paulista Nhambuzim. Aqui, o carro-chefe é a música, deixando a literatura no plano conceitual. O álbum é todo inspirado no universo literário desenvolvido pelo escritor João Guimarães Rosa. As 17 músicas da bolacha buscam a alma do Sertão mítico explorado pelo escritor mineiro e fazem referências à personagens como o vaqueiro Manuelzão e o menino Miguilim, do livro “Corpo de Baile”, Diadorim, a prostituta Nhorinhá e o jagunço Joca Ramiro, de “Grande Sertão: Veredas” e Augusto Matraga, de “Sagarana”.

O Nhambuzim explora elementos da música sertaneja tradicional, com o som da viola, da percussão e do berrante, aliados aos belos vocais harmoniosamente encarnados por Edson Penha, Joel Teixeira e pela delicada voz de Sarah Abreu. O disco ainda traz novos arranjos para a música “A Terceira Margem do Rio”, composta por Milton Nascimento e Caetano Veloso, inspirada no conto de mesmo nome, presente no livro “Primeiras Estórias”.

Pocket show no Teatro Oficina (Encontro de Corais)

Fotos de Naomy Schölling 

 

 

 

  

Xavier Bartaburu  conta as histórias do grupo e do CD “Rosário – Canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa” 

Xavier foi  entrevistado por João Carlos Santana. 

Clique no logo da CBN para ouvir.

 

Guia da Folha (Mensal)

MPB

Por Sergio Molina

 

ROSÁRIO

O grupo vocal/instrumental Nhambuzim traz 17 canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa no ano em que comemoramos o centenário de seu nascimento. O septeto enfrenta com coragem as diversas questões que ele mesmo se impôs: como criar letras a partir do texto de Guimarães? Qual é a música dessa verve roseana? Como equilibrar palavras fortes de cunho pessoal com uma concepção musical que se preocupa em reservar grandes espaços para arranjos vocais? É ouvir e conferir. As participações especiais de Renato Braz, Paulo Freire e Gabriel Levy valorizam o trabalho, além da bem cuidada produção de Ricardo Zohyo. Dá vontade de pegar o Trem pra Cordisburgo e reler o Grande Sertão.

A banda Nhambuzim

Por Edgar augusto


O escritor mineiro Guimarães Rosa é fonte de inspiração do grupo paulistano Nhambuzim neste surpreendente Rosário, lançamento da Paulus inspirado nos livros Sagarana e Grande Sertão: Veredas. O disco traz 17 canções, a maioria autorais, duas pertencendo à tradição oral do norte mineiro (Aboio, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e Encomendação de Almas) e duas de autoria de outros compositores (“A terceira margem do rio”, de Milton Nascimento e Caetano Veloso, gravada por ambos, e Sagarana, de João de Aquino e Paulo César Pinheiro, registrada originalmente por Clara Nunes). O som do Nhambuzim é resultado da fusão de diferentes gêneros e linguagens. Sua marca é o uso de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo, que incorpora traços do jazz e da música erudita. O grupo se forma com André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão), Sarah Abreu (voz) e Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais). Em Rosário a matriz sonora são os aboios, cantos de rezadeiras e ritmos tradicionais mineiros, com as letras evocando Guimarães Rosa a partir do olhar dos compositores do septeto. Renato Braz é o vocalista convidado de Um Miguilim, o violeiro Paulo Freire de Sagarana e Nonada de Mim e o acordeonista Gabriel Levy de Alvorecer. Já estamos mostrando pela Feira do Som (Cultura FM).
Guimar ães Rosa inspirou o disco da banda.

Coluna Lançamentos

Por Bruno Ribeiro

CD ROSÁRIO

No centenário do escritor Guimarães Rosa, o grupo paulista Nhambuzim lança álbum de temas próprios, mas inspirados em livros como Sagarana e Grande Sertão: Veredas. Na matriz sonora há aboios, congadas e cantos de rezadeiras convivendo com o jazz e a música erudita. O CD conta com a participação do violeiro Paulo Freire.

VEREDA MUSICAL – O sertão de todos nós


Grupo Nhambuzim lança CD de estréia inspirado no universo de Guimarães Rosa; obras como ‘Sagarana’ e ‘Grande Sertão: Veredas’ foram contempladas

 

Para João Guimarães Rosa, o sertão é o sozinho, mas também está em todo lugar. Onde vive o sertanejo, diáfano como cristal misterioso, que o grupo paulistano Nhambuzim desvenda um pouco mais em cada uma das 17 faixas do CD de estréia ”Rosário: canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa” (Paulus).

Inspirado na obra do escritor mineiro, o CD é um bocado a mais de poesia cabocla numa releitura musical do autor – sem querer dizer que é possível faltar algo de lirismo à literatura de Guimarães Rosa.
O próprio escritor afirmava que, às vezes, acreditava ser João, um conto contado por ele mesmo. No CD, o autor se deixa cantar pelos delicados arranjos vocais do grupo, que resgata uma tradição antiga da música brasileira.
Formado por André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, violão e viola), Rafael Mota (percussão), Sarah Abreu (Voz) e Xavier Bartaburu (piano e arranjos vogais), ”Nhambuzim” contou com as participações de Gabriel Levy, um dos maiores acordeonistas do País, e Paulo Freire, violeiro e escritor que cedeu a uma paixão por Guimarães Rosa, que o levou até Urucaia, em Minas Gerais, aprendendo a tocar com os grandes mestres da região. O cantor e baterista Renato Braz também é destaque no disco em músicas como ”Nonada de Mim”.
O centenário de nascimento do escritor recebe Nhambuzim em suas veredas. Nelas, o grupo, urbano de nascimento, encontra o sertão por adoção.
Filhos de uma sonoridade de variadas influências, agregando-se a uma família de instrumentos regionais, como a viola e o berrante, o primeiro rebento do Nhambuzim, ”Rosário”, é um menino bonito, parrudo e que dá gosto de ouvir.
O mundo, que está em toda parte, de ”Grande Sertão: Veredas”, abre um botão em flor na música ”Outras Rosas”.
”Há uma flor no meio do caminho”, repete incessantemente o refrão. É ela, Nhorinhá, a prostituta que, na obra do escritor representa o amor físico, com um cheiro de profano e sensual.
Os versos vão andando com as mãos nas cadeiras até lembrar de Diadorim, a figura do amor impossível, proibido, que tem os braços em forma de desejo e repulsa.
”Diadorim, damo da guerra, dos opostos/Vinganças turvas, é/Amor calado, foi/Querer profano”.
O repertório traz composições próprias e duas pertencem à tradição oral do norte mineiro, entre elas ”Aboio”, originalmente cantada pelo vaqueiro Manuelzão, que comandou a comitiva que pôs Guimarães Rosa no caminho de um reencontro com o sertão.
Outros compositores também estão no CD, como Milton Nascimento e Caetano Veloso em ”A Terceira Margem do Rio”, que foi gravada pelos dois, e ”Sagarana”, de João de Aquino e Paulo César, que já contou com a voz de Clara Nunes.
O nome do grupo, criado em 2002, faz alusão ao nhambu, uma ave típica do cerrado, que o povo do sertão tem em alta conta. Uma lenda indígena diz que a filha da Cobra Grande teria criado o nhambu para separar o dia da noite.
Um pássaro cantador. Uma ave que pia no fim da tarde. Um nome inspirador que pousou bem de mansinho para fazer a gente cantar junto, enquanto se encanta com as músicas inspiradas nas veredas de Guimarães Rosa.

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